quarta-feira, 19 de maio de 2010

Viagem da Língua Portuguesa



O idioma espalhou-se pelo mundo nos séculos XV e XVI quando Portugal estabeleceu um império colonial e comercial (1415-1999) que se estendeu no Brasil, nas Américas, em Goa, e outras partes da Índia, Macau na China e Timor-Leste. Foi utilizada como língua franca exclusiva na ilha do Sri Lanka por quase 350 anos. Durante esse tempo, muitas línguas crioulas baseadas no Português também apareceram em todo o mundo, especialmente na África, na Ásia e no Caribe.
Com mais de 260 milhões de falantes, é, como língua nativa, a quinta língua mais falada no mundo, a mais falada no hemisfério sul, a terceira mais falada no mundo ocidental e das que usam o alfabeto latino. Além de Portugal, é oficial em Angola, Brasil, Cabo Verde, Guiné-Bissau, Macau, Moçambique, São Tomé e Príncipe, Timor-Leste e, desde 13 de Julho de 2007, na Guiné Equatorial, sendo também falado nos antigos territórios da Índia Portuguesa (Goa, Damão, Ilha de Angediva, Simbor, Gogolá, Diu e Dadrá e Nagar-Aveli). Possui estatuto oficial na União Europeia, no Mercosul, na União Africana, na Organização dos Estados Americanos, na União Latina, na Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (CPLP) e na Associação dos Comités Olímpicos de Língua Oficial Portuguesa (ACOLOP).
Assim como os outros idiomas, o português sofreu uma evolução histórica, sendo influenciado por vários idiomas e dialectos, até chegar ao estágio conhecido actualmente. Deve-se considerar, porém, que o português de hoje compreende vários dialectos e subdialectos, falares e subfalares, muitas vezes bastante distintos, além de dois padrões reconhecidos internacionalmente (português brasileiro e português europeu). No momento actual, o português é a única língua do mundo ocidental falada por mais de cem milhões de pessoas com duas ortografias oficiais (note-se que línguas como o inglês têm diferenças de ortografia pontuais mas não ortografias oficiais divergentes), situação a que o Acordo Ortográfico de 1990 pretende pôr cobro.
Nos séculos XV e XVI, à medida que Portugal criava o primeiro império colonial e comercial europeu, a língua portuguesa se espalhou pelo mundo, estendendo-se desde as costas africanas até Macau, na China, ao Japão e ao Brasil, nas Américas. Como resultado dessa expansão, o português é agora língua oficial de oito países independentes além de Portugal, e é largamente falado ou estudado como segunda língua noutros. Há, ainda, cerca de vinte línguas crioulas de base portuguesa. É uma importante língua minoritária em Andorra, Luxemburgo, Paraguai, Namíbia, Maurícia, Suíça e África do Sul. Além disso, encontram-se em várias cidades no mundo numerosas comunidades de emigrantes onde se fala o português, como em Paris, na França, Hamilton, nas Ilhas Bermudas, Toronto, Hamilton, Montreal e Gatineau no Canadá, Boston, Nova Jérsei e Miami nos EUA e Nagoia e Hamamatsu no Japão.
http://pt.wikipedia.org/wiki/L%C3%ADngua_portuguesa



Timor-Leste

Conhecido no passado como Timor Português, foi uma colónia portuguesa até 1975, altura em que se tornou independente, tendo sido invadido pela Indonésia três dias depois. Permaneceu considerado oficialmente pelas Nações Unidas como território português por descolonizar até 1999. Foi, porém, considerado pela Indonésia como a sua 27.ª província com o nome de "Timor Timur". Em 30 de Agosto de 1999, cerca de 80% do povo timorense optou pela independência em referendo organizado pela Organização das Nações Unidas.
A língua mais falada em Timor-Leste era o indonésio no tempo da ocupação indonésia, sendo hoje o tétum (mais falado na capital). O tétum e o português formam as duas línguas oficias do país, enquanto o indonésio e a língua inglesa são consideradas línguas de trabalho pela actual constituição de Timor-Leste. Devido à recente ocupação indonésia, grande parte da população compreende a língua indonésia mas só uma minoria o português. O hino de Timor-Leste, com o título de Pátria só existe na versão em português. http://www.timorcrocodilovoador.com.br/documentos/hino-oficial.mp3

Contando com a colaboração activa de Portugal e do Brasil, o português tem vindo progressivamente a recuperar terreno, sendo que actualmente cerca de 25% dos timorenses falam português (13,6% de acordo com o censo de 2004).

Reflexão

A língua portuguesa é a sétima mais falada em todo o mundo, tendo tido a época dos descobrimentos um grande impacto em relação a este factor. A expansão do povo português por todo o mundo, também se deveu à emigração, contribuindo em grande parte para consolidar a difusão da nossa língua.
O Brasil é o principal responsável pela actual propagação da língua portuguesa por todo o mundo, não só porque os brasileiros são aproximadamente 193 milhões de habitantes, mas também pela crescente importância económica deste país e pelas múltiplas iniciativas lúdicas, desportivas, políticas.
Em relação aos PALOP (países africanos de língua oficial portuguesa), Cabo Verde, Angola e Moçambique têm-se distinguido como os países mais interessados em manter viva a nossa língua, tomando para isso várias iniciativas culturais que afirmam a importância da língua portuguesa.
Independentemente de decisões económicas que culminaram na junção a outros grupos de países, como por exemplo o caso de Moçambique junto da Commonwealth (comunidade de países dependentes do Reino Unido), nunca a língua portuguesa foi ameaçada enquanto idioma oficial neste país.
A língua portuguesa está viva, é falada nos quatro cantos do mundo, continua a sofrer actualizações e evoluções, muito devido a contributos de dialectos e expressões utilizadas noutros países, por exemplo vindos de expressões angolanas, vindos do Brasil, entre outros.
Será importante referir que a imigração de populações provenientes de todos os países que falam português espalhados pelo mundo, também contribui para manter viva esta língua. Se pensarmos na integração das várias comunidades provenientes de África, Brasil e Timor na nossa sociedade, é natural pensarmos também que há uma constante renovação da língua e que sejam assimilados novos hábitos linguísticos: o recente acordo ortográfico é exemplo disso mesmo.

Experiências De Imigração

Desde sempre que equacionei a possibilidade de ir trabalhar para outro país durante um tempo. Sempre senti esse apelo e assim que me foi oportuno, tentei concretizá-lo. Após ter finalizado o meu curso em ciências farmacêuticas, enviei propostas de trabalho para varias faculdades e hospitais em Itália. Fui aceite num hospital em Turim e iniciei a minha actividade em Dezembro de 1994. Pensei que por ser um país latino, com costumes e valores semelhantes aos nossos, teria facilidade na integração. Por outro lado, sendo um país desenvolvido, que pertencia e pertence ao G8 (grupo de países desenvolvidos e industrializados) poderia proporcionar-me experiências e aquisição de saber que são inerentes ao avanço tecnológico. Poderia ainda contactar com novas áreas da minha profissão que talvez não estivessem tão desenvolvidas no meu país.
Durante o tempo de faculdade tinha lido bastantes artigos elaborados por professores italianos de farmacologia e sabia que o papel do farmacêutico era considerado de uma forma diferente, ou seja, era dado mais relevância ao que podíamos fazer integrados numa equipa prestadora de cuidados de saúde.
Escolhi-o por ser um país bonito, com gente bonita, suficientemente semelhante ao nosso e razoavelmente diferente em muitos aspectos, tal como referi anteriormente.
Enviei propostas de trabalho para faculdades e hospitais. Aguardei as respostas e depois escolhi o local que mais me parecia adequado aos meus propósitos.
Desempenhei funções de farmacêutica hospitalar num hospital distrital em Turim, no norte de Itália. Gostava bastante do ambiente de trabalho que havia na farmácia do hospital e de uma forma geral as pessoas eram gentis para comigo. O local era agradável, o hospital tinha bastantes valências e condições de trabalho, no entanto Turim não era à partida a cidade em Itália que mais me apaixonava. Conhecia Roma e esse era o meu local preferido, mas não recebi nenhuma resposta dessa cidade.
A comida italiana agrada a todos de uma forma geral e a mim particularmente. Por isso não tive qualquer dificuldade em adaptar-me e embora tenha sentido diferença entre a nossa alimentação e a deles, tal não representou nenhum problema.
As diferenças principais foram ao nível da quantidade de hidratos de carbono e na ausência de peixe. Claro que ao fim de algum tempo, já estava um pouco cansada de massas e pizzas, mas como estava numa casa alugada, pude começar a cozinhar aquilo que me era mais agradável.
Em relação ao custo de vida, este era mais dispendioso do que o nosso. Turim é uma cidade no norte de Itália, demasiado perto de Milão, logo tudo era caro e notei grandes diferenças no custo dos bens essenciais. Neste aspecto Portugal era mais vantajoso e agradável.
Não tive problema na aquisição de autorização para permanecer e trabalhar em Itália e consequentemente a inscrição no sistema nacional de saúde não foi difícil.
Em relação à segurança social, nunca me inscrevi mas sabia que o hospital descontava por mim.
Quando fui para Itália não sabia escrever italiano, apenas sabia falar e compreendia a escrita quando lia. Aprendi a escrever durante o tempo em que estive a trabalhar, mas a língua falada foi sempre o meu ponto forte quando comparado com a escrita. Lia livros em italiano e treinava a escrita com os meus colegas do hospital.
Consegui ter bastantes amigos e inclusivamente senti-me integrada num grupo de pessoas da minha idade que não trabalhava comigo. Fui conhecendo cada vez mais pessoas através de algumas actividades que tinha fora do horário de trabalho, nomeadamente ginástica, solário e passeios pelos monumentos. É claro que através do hospital acabei por conhecer amigos e amigas que mantive durante o tempo em que estive a trabalhar e até mesmo depois de regressar a Portugal
As pessoas são mais alegres mas não são tão puras como em Portugal. São mais desconfiadas e demoram um pouco até “abrirem a porta da sua casa”.
Itália é um país rico culturalmente, onde há muita opulência e marcas de todas as épocas históricas.
A forma de estar é semelhante à nossa, somos ambos países latinos, mas em Turim nota-se uma grande influência de França e isso faz com que não exista aquele clima latino como verificamos no sul do país.
O clima era frio, nevava e chovia bastante. Este foi talvez o aspecto que me perturbou durante a estada em Turim. Não estava habituada à neve e à temperatura negativa. O sol escasseava e isso era motivo de alguma depressão que eu tentava tratar com passeios ao campo sempre que não chovia. Acabei por me habituar à neve e comecei a fazer ski.
Em Itália tive a oportunidade de trabalhar num hospital, na área de farmácia e de adquirir conhecimentos práticos inerentes à minha profissão. Sabia que era fácil mediante uma auto-proposta e isso era quase impossível no nosso país.
Em Portugal é difícil obter vaga num hospital do Sistema Nacional de Saúde e é necessário um concurso público prévio.
Naquela época a iniciativa privada no campo da saúde era limitada e não existiam hospitais pertencentes a grupos económicos que pudessem tratar deste processo de uma forma simples e desburocratizada. Sendo assim, a possibilidade de colaborar durante um período na dinâmica da farmácia hospitalar só seria exequível fora de Portugal.




Testemunho de uma pessoa querida e importante na minha vida que emigrou. Aqui ficam alguns promenores da sua experiência fora do seu pais de origem.